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Em um momento crucial da nação judaica, sob a crise premente do domínio romano e a ressurgência permanente de intolerâncias de ambos os lados, os líderes religiosos se ocupavam mais com pompas e circunstâncias do que com a realidade espiritual que os circundava. Os fariseus, por exemplo, eram notórios pelo modo como tratavam os aspectos devocionais da Lei, especialmente no que dizia respeito às orações e jejuns. Tudo era feito com pompa, para que todos pudessem ver e aplaudir, não para buscar a intervenção ou ajuda divina.

Eles, inclusive, reclamaram publicamente por que os discípulos de Jesus não jejuavam. Era uma dura crítica, cujo cerne não somente desafiava o Mestre, mas também colocava em dúvida a seriedade de Seu ministério e sua importância para a nação. Jesus, o bom Mestre, responde com outra pergunta e acrescenta uma afirmação: “Podem, acaso, estar tristes os convidados para o casamento, enquanto o noivo está com eles? Dias virão, contudo, em que lhes será tirado o noivo, e nesses dias hão de jejuar” (Mt 9.15).

A pergunta de Jesus sugere que nem todo tempo é tempo de jejuar. Não é prático jejuar em tempos onde o próprio Deus está presente e agindo naquele memento da história. A afirmação seguinte de Jesus, por outro lado, traduz o desafio de que o jejum, quando necessário, deve ser levado a sério, jamais deve ser ignorado ou objeto de descuido, principalmente quando precisamos de uma intervenção divina.

É bom lembrar que oração e jejum são práticas espirituais que andam juntas. No ministério de Jesus, estavam tão intrinsecamente ligadas que ensejariam, no mínimo, uma questão: Se Jesus, o Filho de Deus, orava e jejuava, então que atenção nós devemos dar a essas práticas? Antes de começar o Seu ministério, Jesus foi “levado pelo Espírito ao deserto para ser tentado pelo Diabo” (Mt 4.1-11). Em razão dessa batalha, Ele passou quarenta dias em oração e jejum. Outros servos de Deus, em meio a grandes lutas, também se detiveram nessas práticas sacrificiais em busca de vitória (Moisés: Ex 34.28; Davi: 2 Sm 12.16).

A ação de orar e jejuar demonstra zelo diante de Deus, em detrimento de todas as outras coisas, assim como ajuda a obter vitória contra a tentação, auxilia a obter poder sobre os demônios, desenvolve a fé, mortifica a incredulidade e ajuda na perseverança pela vitória plena em tempos de crise (Mt 17.14-21).

O sábio Salomão escreveu: “Há tempo para todo propósito debaixo do céu: tempo de nascer e tempo de morrer… tempo de chorar e tempo de rir; tempo de prantear e tempo de saltar de alegria… tempo de estar calado e tempo de falar”, entre outros (Ec 3.1-8). Mas nada disse quanto ao tempo de orar. Qual a razão? O apóstolo Paulo ensina: “Orando em todo o tempo”; e também: “Orai sem cessar”. Jesus contou uma parábola sobre “o dever de orar sempre e nunca esmorecer”. Ou seja, devemos orar em todo o tempo disponível, pois todo tempo é tempo de orar.

Oração é o que se pode chamar de ministério de todos os crentes em Jesus: crianças, adolescentes, jovens, senhores e senhoras, todos são chamados a orar sempre até que a vitória se estabeleça. Jejum é abstenção de alimento, mas o sentido espiritual é afligir e humilhar a alma diante de Deus (Sl 35.13). É crucificar os apetites carnais, evidenciar o controle sobre seus desejos, a fim de dedicar-se integralmente a Deus.

Devemos orar e jejuar para estarmos aptos a fazer a vontade de Deus, não para Deus fazer a nossa vontade. Se Deus não quiser, não há oração e jejum que possam movê-lo. Essa é uma verdade central da soberania de Deus sobre a vida e a História. Se há quem pense poder manipular Deus ao orar ou barganhar com Deus em jejuar, este ainda não aprendeu como convém orar e jejuar.

Orar é mais do que apresentar uma lista de pedidos; é a síntese de um relacionamento efetivo que desemboca em se interessar pelo que Deus se interessa. Por isso oramos: “Faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu”. Jejuar é mais do que deixar de comer, pois o que faz o jejum agradável a Deus é o nosso despojamento pessoal, é lutar contra as injustiças, libertar os cativos e ajudar ao pobre e necessitado (Is 58.6-10).

Desse modo, sabendo que Jesus, o “Noivo”, se foi, mas está para retornar, se quisermos ser igualmente vitoriosos nessa crise, precisamos orar e jejuar agora. Isso não é uma opção, é uma necessidade.

Neste momento de profunda crise moral pela qual passa o país, com os ânimos acirrados entre a população, convém nos humilharmos diante de Deus, orando e jejuando pelo Brasil, para Ele fazer a Sua vontade.

Oremos então: pela integridade e prosperidade das famílias; para que Deus levante líderes e governantes íntegros e honestos; para que a luz da Palavra produza temor de Deus e moralidade cívica; para que haja esclarecimento aos líderes e governantes sobre o melhor futuro possível para a nossa nação; pela cura dos corações adoecidos pelas disputas e acirramentos políticos; por uma Justiça limpa e imparcial sobre todos e para todos; para que o espírito de violência e intolerância não prospere nem cause danos à sociedade, mas seja anulado pelo poder e sabedoria de Deus no psiquismo coletivo da nação; e, sobretudo, para que a glória do Senhor seja a nossa retaguarda e proteção. Amém!

 

Samuel Câmara

Pastor da Assembleia de Deus em Belém

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